13.6.17

Das Schweigen von Marcel Duchamp wird überbewertet




Não tinha tempo,
dizia,
mas o não ter tempo era a parte pequena
da justificação. Não pretexto como
não desculpa, e escusava-se só
porque o que ouvia do que diziam à sua volta
chegava para fechar a porta, as janelas,
desligar o telefone, dar por finda a conta sem contrição.
Não como a poesia que fala de poesia
porque há muito perdeu outro propósito,
não como a literatura que se pretende espelho do mundo
sem já ser capaz de se ver a si mesma,
não como aquilo a que chamam arte
e que vive apenas do nome que lhe dão.
Não como carne, como coisa,
não poeta, não autor, não artista.
Não, nada, nunca mais.

Não só falta de tempo, mas de paciência.