7.2.18

O poeta contra o tempo



Ressumava ódio.
Escapava-se-lhe pelos poros,
pelos olhos, pela boca.
Supunha que as palavras o pudessem salvar,
mas nada nelas o protegia
da sua própria impotência.
Nenhuma mão ou voz que não frustração,
ouvidos que o ouvissem,
gargantas que o cantassem.
Não era ameaça, seria ninguém.
Um apêndice mudo na carne da língua.