13.3.18


Da oferta e da procura


Supunha, simplesmente (e simplesmente
era aqui um recurso retórico, não havia nisto
nada de simples), supunha, pois, que pese embora
séculos de instrução, décadas de emancipação (as quais,
de forma desigual, haviam feito do corpo das fêmeas
um espaço de disputa e de conflito), não lhe sobrava senão
olhar em volta e aceitar as regras. As do mercado (que
regulam os corpos e os valores) e as da carne (que
regulam a fome e a satisfação).
Quem define a lei, sabia-o (fora à escola, tinha lido
três livros, alguma coisa teria aprendido),
produz a perversão.
Quem aceita o jogo, temia-o, assume como sua a punição.
Não o contestaria.