Pôr uma porta na boca na boca das fêmeas
(feminina, na tradução da Tatiana Faia
— estará mais correcto,
mas é menos eficaz,
o feminino não é animal o suficiente,
sujo o suficiente. Agressivo,
se tiver de ser)
tem sido um importante projecto
da cultura patriarcal
desde a antiguidade até ao presente, escreve
Anne Carson. O som
da sua voz seria ofensivo, como ofensivo
o que elas expelem do corpo.
As vergonhas guardam-se
debaixo da saia,
os olhos, debaixo das pálpebras,
a ignorância, debaixo da língua.
Um desejo legítimo. Manda quem pode
e pode quem manda.
Era uma norma de civilização.
Uma porta na boca, pois, uma porta nas coxas,
e guardar a chave por entre as pernas – as deles.