Mas acaso transmitir um segredo
como segredo,
que permanece secreto,
é transmitir? É fazer história?
Sim ou não,
escreve Derrida em Dar a Morte,
tradução de Fernanda Bernardo,
numa análise à experiência da fé
em Kierkegaard (uma análise equívoca.
Por vezes,
a única forma de responsabilidade
é dizer que não, e o não e o sim não são
simétricos, opostos ou intermutáveis,
antes momentos de uma imagem
em movimento, somam-se às outras e
afundam-se nelas). Mas o segredo,
deveria dizê-lo,
não é o que se esconde ou
o que se mostra,
mas isso que
dentro dos olhos já não é olhar,
dentro
do peito condição do sangue e é olho
e sangue
e ninguém quer ver.
Só por metonímia lhe chamaria Deus.