Os sonetos de Camões,
provavelmente o que de mais (não
encontrava nenhum adjectivo
que não fosse
um lugar-comum, nenhum
que dissesse o que não podia dizer),
a lírica de Camões, portanto,
o que de mais a língua portuguesa
tinha produzido (referia-se à escrita,
não ao mundo). O encadeado de uma
palavra para a outra,
da frase ao verso,
do ritmo à rima, o todo parecia
obedecer mais
à respiração do que ao tema ou
à construção formal.
Teria sido possível (e talvez tivesse
de facto acontecido) que isso que depois
se designará por literatura portuguesa
tivesse terminado ali, o princípio
e o fim no mesmo gesto e verso,
e vivêssemos agora depois do fim
do que depois se designou por literatura
portuguesa.
Quanto à rima e à forma, era preciso
evitá-las como se evita a vida dos outros.