12.4.26

Hierofania


Como essa coisa amarga
que lhe ocupava a boca.
Bastava-se a si mesma.
Engolia-se com a saliva,
cuspia-se quando já não
se suportava.
Nada para sentir,
esconder ou mostrar.
Não era língua,
não seria consolação.




7.4.26

Paisagem pré-moderna


Sabia do que falava
quando falava
de poesia, era quase nada.
Talvez não fosse o mesmo
que via em volta.




30.3.26

Hybris


Excesso e desmedida e gula e avidez
e ambição sem termo nem comparação,
perturbação sem causa, pergunta sem
porquê, e dádiva e graça
e a própria Primavera, causa e porquê,
Eu, porém, digo-vos
(terá dito Cristo,
segundo Mateus, 5:32,
quem quer que tenha sido
o cronista que tomou tal nome,
um homem
numa cadeia de homens, numa moral
de culpa e de punição): todo aquele que
olha para uma mulher
e deseja possuí-la, já cometeu
adultério com ela no coração.
E toda aquela que olha para um homem,
e todo aquele que é humano e animal,
que é corpo e cobiça e fome e desejo
e imaginação
já cometeu pecado como quem come
as pedras que a miséria lhe deu por herança.




18.3.26

Disponibilidade


Aceitaria o simulacro.