E se eu tivesse morrido
e me encontrassem aqui?,
perguntou-se Tracey Emin,
vinte e cinco anos,
diante da cama (lençóis sujos
e amarfanhados, cuecas manchadas
de fluidos menstruais,
garrafas de vodka, maços de cigarros
amarrotados,
preservativos, contraceptivos,
lixo ao acaso pelo tapete)
na qual acabara
de passar quatro dias de depressão.
Um lugar branco e imundo,
íntimo e público
como quanto é arte. A cama,
tal como estava, foi fotografada,
registada, embalada e deslocada para
uma galeria. Uma mulher exposta
aos olhos do mundo. Aquele
(como as suas coxas, supunha-se)
talvez não fosse
o pior dos lugares para morrer.