Não queria confundir (mas confundia,
e como não? Como ultrapassar séculos
de manipulação, que faziam da vontade
a figura mais fraca da moral?)
a culpa com o corpo. A primeira
discutia-se e argumentava-se,
pesava-se segundo um critério comum,
o outro teria peso, mas nenhum critério
que o ponderasse. A primeira
aceitaria o cálculo e a contabilidade,
o outro prescindia da perda porque
nunca prometera ganhos.
Não queria confundir (e não confundia)
a Primavera com o princípio. Este,
corpo ou culpa,
vinha depois da primeira e chegava já
esmagado pelas suas
próprias promessas. A Primavera
viera antes. Teria corpo, mas não culpa.
Desfizera-se dela antes de lho pedirem.
Tinha as mãos limpas quando bateram à porta.