Ainda herdeira da tradição crítica,
interrogava-se
até quando poderia manter a ficção
da neutralidade, a fraude do juízo
objectivo, e da possibildade
(hierárquica e intransigente,
dicotómica e selectiva
— uma posição de poder
da qual não queria
prescindir. Talvez não tivesse
direito a outra) de distinguir
o verdadeiro do falso, a realidade
da aparência. Sabia de si própria
ocupar à vez as duas posições,
sujeito e objecto, olho e mão como
quem faz casa em quartos alugados.
Uma coisa comum,
feia e suja como um final feliz.