A mulher, escreve
Mircea Eliade em O sagrado e o Profano,
está, pois, misticamente
solidarizada com a Terra,
o dar à luz apresenta-se como
uma variante, à escala humana,
da fertilidade telúrica. Lugar de origem,
cada nascimento
repetiria o momento da criação,
aquele no qual, quaisquer que os mitos
de diferentes povos, a Terra teria
parido a humanidade das suas entranhas,
aquele no qual (com ou sem
presença masculina — a partenogénese
seria comum) do ventre da terra
nasceria mundo e humanidade.
Mas para tal (depressa os homens
teriam compreendido) seria necessário
rasgar-lhe o ventre, sagrado só
o bastante para ser profanado.