5.6.26

Distúrbio do luto prolongado


Marjane Satrapi est morte de tristesse
un peu plus d’un an après
le décès de Mattias Ripa,
son mari et l’amour de sa vie,
escreve, em comunicado, a família.
¿Es posible morirse de pena?, escreve,
o El País, preguntando se,
para lá do mito romântico,
existirá suporte científico para
o morrer da perda,
o desistir diante do que não tem
diante nem depois e não é senão
a perda que soma à perda
até que
nem nome nem memória
se distingam do nosso nome.
A resposta (porque há resposta para
quase tudo,
explica-se, nomeia-se, enquadra-se
no quadro clínico, pesa-se, mede-se, 
medica-se)
fala da norma e da excepção, do vínculo,
da solidão e da fragilidade afectiva.
O coração partido é muitas vezes,
só e apenas, o sombrio e fundo
nome do tempo. Não haverá depois.