Cada poema (mas haverá,
nessa massa esponjosa
a que chamamos literatura,
coisa mais detestável do que a palavra
poema?
Um nome que carrega em si
tudo o que é sórdido e pretensioso
do lado de cá da língua,
essa sugestão de que basta encadear
quatro frases alinhadas à esquerda
para que isso seja ou diga mais
do que a mais banal das formas de fazer
das palavras texto?), cada um deles, pois,
deveria constituir uma teoria
da língua e da escrita,
o rasgo oportunista e sem escrúpulos
de usar as palavras, de lhes louvar
a dignidade e roubar a virtude,
de as fazer
santas contra si mesmas. Mártires, mesmo
que recuassem diante das chamas.