21.6.26

Credo de Niceia


Perguntava, contra a evidência
de que ninguém
responderia (mas perguntava a quem,
de facto,
ao Grande Ouvinte das gerações
que precisavam de um espectador,
mesmo que ele não chegasse a existir?),
perguntava, então,
pelas coisas visíveis. Não acreditava
em nada
que as mãos não pudessem manipular.
Apontar com o dedo,
pelo menos,
no fio da faca que fazia de mão.
Duvidava do resto. Do pai, do filho,
do espírito.
Acreditava no homem e no ventre da mulher,
Deus de Deus, luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro.
Não via, não ouvia, mas não havia
o que ver ou o que ouvir.