Não gostava de fazer balanços
(havia nisso sempre
alguma coisa de comercial,
o comprar e o vender, o deve, o haver,
as existências, as falhas,
aquilo que não cabia
nos registos — transação ilícita,
roubo, desvio?),
mas permitia-se um olhar mais frio.
Dividindo em partes, separando o útil
do inútil, descartando este
como se descarta
a roupa gasta na mudança das estações,
podia compreender
que desde o início compreendera
que a entrega dele
fora uma forma de ingenuidade.
De estupidez, talvez. Não seria pior.